🌄 DeepTree — PROTO-SINO-TIBETANO (PST)
📜 Contexto Geral
Período estimado: c. 4000–2000 a.C.
Região original: Provavelmente nas áreas do norte da China (Planalto Tibetano e arredores do rio Amarelo)
Características principais: Língua analítica (pouca flexão), tendência a tons, palavras monossilábicas, sistema pronominal fixo, raízes simples e estáveis.
A seguir, vamos rastrear algumas palavras essenciais do PST em suas formas antigas e como elas evoluíram para idiomas modernos como o Tibetano, Chinês, Birmanês, entre outros.
👤 ŋa (eu)
PST: ŋa
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Tibetano Clássico:
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Forma: nga
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Mudança leve: Nenhuma! Forma preservada quase que intacta.
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Birmanês:
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Forma: ŋá
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Mudança leve: Adição de tom, mas fonologia intacta.
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Chinês Arcaico:
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Forma: *(não é diretamente ŋa, mas uma forma relacionada como ŋaj)
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Mudança drástica: Substituído por uma forma completamente diferente em Mandarim moderno (wǒ 我)
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👪 ma (mãe)
PST: ma
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Mandarim Moderno:
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Forma: mā (妈)
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Mudança leve: Apenas tonal, o som ma é idêntico.
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Tibetano Clássico:
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Forma: ama
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Mudança drástica: Prefixo vocativo a- adicionado.
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Mudança leve: Radical ma mantido claramente.
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Birmanês:
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Forma: mé
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Mudança drástica: Mudança de vogal e tom
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Mudança leve: Ainda reconhecível como mãe.
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🐮 wak (vaca/boi)
PST: wak
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Tibetano:
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Forma: 'wag (འགྱང་)
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Mudança leve: Apenas ortográfica, som próximo mantido.
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Chinês Arcaico:
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Reconstrução OC: ŋʷak
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Mudança leve: Estrutura quase idêntica ao PST, só nasalizada.
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Mandarim:
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Forma: niú (牛)
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Mudança drástica: Palavra substituída completamente.
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🔟 gʷə (dez)
PST: gʷə
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Chinês Arcaico:
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Forma: gjut (reconstrução OC do caractere 十)
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Mudança leve: Forma nasal-labial gʷ ainda ali.
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Mandarim Moderno:
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Forma: shí (十)
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Mudança drástica: Perda da consoante labial; fricativa alveopalatal substitui.
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Tibetano:
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Forma: bcu (བཅུ་)
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Mudança drástica: Completamente nova forma.
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Mudança leve: Posição decimal preservada (semântica intacta).
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🧠 s-mat (pensar/mente)
PST: s-mat
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Chinês Arcaico:
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Forma: s-mət (reconstrução de 思)
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Mudança leve: Sufixo nasal adicionado depois.
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Mandarim Moderno:
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Forma: sī (思)
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Mudança drástica: Redução e tonalização, mas radical fonético é herdado.
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Tibetano:
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Forma: sem (mente)
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Mudança drástica: Raiz alterada fonologicamente.
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Mudança leve: Ligação semântica clara.
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🌊 tshur (água/corrente)
PST: tshur
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Chinês Arcaico:
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Forma: tshjwoj (水)
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Mudança leve: Raiz tsh- mantida.
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Mandarim Moderno:
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Forma: shuǐ (水)
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Mudança drástica: Vogal e tom alterados, mas reconhecível.
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Tibetano:
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Forma: chu (ཆུ་)
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Mudança leve: Vogal modificada, mas consoante e semântica mantidas.
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🪨 r-lak (mão)
PST: r-lak
Tempo: ~4000–2000 a.C.
Tibetano:
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Forma: lag-pa (mão)
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Mudança leve: Inserção de sufixo -pa (nominalizador), raiz lak mantida.
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Mandarim:
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Forma: shǒu (手)
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Mudança drástica: Radical substituído, estrutura alterada.
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🌿 Conclusão
A trajetória do Proto-Sino-Tibetano é uma odisseia fascinante — de tons neutros e raízes nuas até os tons complexos e formas altamente estilizadas de hoje. Em línguas como o Tibetano e o Birmanês, há traços diretos e quase imaculados do PST. Já no Chinês, o radical fonético às vezes sobrevive, mas a forma sonora costuma se transformar radicalmente.

